Saturday, July 8, 2006

não é clarice!

Fui mal, desculpem!

O texto abaixo, Mude, que minha colega do trabalho Lígia Scalise me mandou, atribuindo à clarice lispector, não é da autora. Outra amiga, a Verônica Papoula, fã da clarice, avisa que ela NÃO ESCREVIA POESIAS… Ah, bom!

Posted by Lidice-Bá at 21:45:05 | Permalink | No Comments »

um texto meu


 

Furacão vermelho

 Lidice-Bá 

O amor divide o mundo em duas partes: os que são felizes, e os infelizes. No amor, tudo conta. Charme, orgulho, raiva, mais a ponta, do cigarro, do ciúme. O amor é um vício e o melhor artifício para suportar a não eternidade da carne – quando ele, amor em si, é imortal.

Amor de verdade é imoral. O amor constrói almas, paredes, cidades inteiras e, às vezes, se destrói por besteiras. É a água de um lago plácido calmante e também a cascata de
30 metros que cai em fio cortante. O amor detona guerras e apazigua as terras do coração de um guerreiro. É a minha sede, a sua rede, a viúva-negra, minúscula e letal, tecendo a teia.

Amor de verdade é incondicional. O amor que impõe regras é pavor, o amor sob quaisquer circunstâncias é horror. O amor soma os sete pecados capitais e mais mil pesadelos irreais. É como os vagões de um trem carregado de surpresas. É cheio de belezas, certezas e incertezas. É a ferida que dói e a brisa que assopra. É o que consola, isola e assola.

Amor de verdade é crueldade. O amor é o vilão e é também o perdão. É a devoção, a perdição, a loucura e a abstenção. É a esperança sem data, é a chupada com marca. É a crença diante da perda possível para tantos. É a batalha, a explosão de corpos no espaço. É a provocação, a rebeldia e a hipocrisia. É a doação de quem precisa aprender a dar sem nada esperar em troca.

Amor de verdade é ilusão. Amar é confiar mesmo sabendo que uma porrada a gente pode levar. É conseguir se levantar sem nenhuma mão estendida. O amor é um tapa na cara, é a humilhação e a redenção. É o sofrer da alma na carne ao menos uma vez na vida. É a dor sentida e remoída, vomitada ou engolida. E o fracasso amoroso também é valioso…

Amor de verdade é detergente. O amor é a onda do mar, lava tudo com sal. O amor revolta e acalma. Tem seus mistérios, delírios e perigos. É sério, solto e libertino. É cínico, leal e traiçoeiro. É realidade e fantasia. É a sétima maravilha. Nasceu antes de Eva e Adão –e para ele não tem perdão.

Amor de verdade é contradição. Amar é se envenenar, se querer e se odiar. O amor é perverso e ingênuo. É tudo aquilo que sonhamos e queremos, e também o que nunca entenderemos. O amor confunde. Cega, emudece e enlouquece. Liberta e aprisiona, e assim o mundo funciona.

Amor de verdade é travessia. Um coração conquistado segue além-mar, atravessa rios, desertos e qualquer fronteira sem eira nem beira. Um coração reprimido vira flecha de bandido. Ou mata ou morre de dor.

Amor de verdade é condenação. O amor é a cela da cadeia, a jaula do zoológico, a cadeira elétrica. É o grito, a risada, o sussurro, o gemido e o delírio de um orgasmo bem sentido. É a vida, a paixão e a desilusão. É o respiro de alívio, é um gesto tremido, é um olho com ou sem brilho. Porque a cada esquina tem alguém carente esperando um prato de amor.

         Amor de verdade é intuição. O amor não pede licença e entra, não pede desculpas e erra. É um garoto gritando liberdade, é uma confusão e também a melhor decisão. É o beijo profundo, o mergulho de línguas no escuro, a doença e sua cura. É relaxamento de alma, um destino a trilhar.         Amor de verdade é ganância. O amor idiotiza, estremece, entorpece. Atiça a libido mesmo quando nada tem sentido. Dá dor de barriga, faz o possível e o impossível. Desfalece, apodrece. É para poucos que sabem dele aproveitar e para muitos que dele querem provar. É para os sábios, as multidões, os descrentes, tolos e inconseqüentes. É um teste de fé.         Amor de verdade é bobagem. Amar é tramar, tomar posse e usurpar. É perder os sentidos, soltar os instintos. É querer muito, transgredir e regredir. É suar frio quando se morre de calor. O amor nivela todos por baixo e por cima, pelos lados e por trás. É isso o que o amor faz: põe todos de quatro. No amor, todo ser humano, por mais democrático ou tirano, é igual. E apesar de os amantes se perderem, o amor nunca se perderá. FIM   

Posted by Lidice-Bá at 21:40:11 | Permalink | Comments (2)

Thursday, July 6, 2006

21 anos atrás

Na madrugada do dia 7 de julho de 1985, eu levei dois tiros na perna direita. Com a visão do vidro do carro todo ensangüentado, a Lidice que seria bailarina morreu, para outras Lidices nascerem dentro de mim. Bom ter escapado.

Posted by Lidice-Bá at 20:08:52 | Permalink | No Comments »