A cega e o tarado
Uma cega tinha sido estuprada. Na delegacia, foi reconhecer o algoz. Eram 7 os acusados. “Ele me forçou a fazer sexo oral, doutor”, a vítima se queixou. Único jeito, então, era reconhecer o cidadão pelo membro. Os sujeitos se enfileiraram. Nus, de pé, um atrás do outro. A cega estava aflita. De saia longa e blusa curta, agachou no chão frio deixando as curvas à mostra e, sem reclamar, se pôs a trabalhar. Pegou um por um, com as mãos pequeninas e delicadas. Tateou, sentiu o cheiro, acariciou os meninos com dedos longos diante do delegado sem avistar palmo algum da ereção em série que tinha provocado.
A cega era séria. “Quero achar o tarado, seo delegado”, anunciou, antes de continuar a “delicada” busca. A cena seguinte desorientou o batalhão. Com classe, a cega enfiou o primeiro da fila na boca. Coube tudo. Mas ela tirou, e avisou: “Não é esse”. Continuou. O próximo da fila estava mais rijo. Ela mamou na cabecinha, lambeu, chupou. Ele gozou. A cega avisou: “Esse também não é”. O próximo, enorme. Na hora em que colocou a espada na boca, a cega achou. E, pra surpresa geral, festejou. “Posso levar o tarado?”. Tarada era ela. E cego ele, que não via no “casório” jaula maior do que a prisão em que já estava.
Esse miniconto é de autoria de Lidice-Bá, jornalista e escritora erótica,e foi publicado na revista Playboy em agosto de 2006